No Brasil, a LGPD ainda é vista com desconfiança por muitos. Enquanto alguns a consideram uma salvaguarda essencial, outros a veem como uma mera sugestão, sem a efetividade necessária para coibir práticas abusivas. Um fato alarmante é que muitos corretores de imóveis recorrem a bancos de dados ilegais, como o chamado "Fisgar", para obter informações sobre potenciais clientes. Isso não apenas fere os princípios da LGPD, mas expõe a fragilidade do sistema de proteção de dados no país.
A situação se torna ainda mais crítica quando analisamos o impacto social da coleta de dados. Em um debate recente, ficou evidente que o uso indevido do pretexto de proteção de dados pode perpetuar tabus e discriminações, especialmente em temas delicados como a educação sexual. A proteção de dados não pode ser um pretexto para silenciar ou constranger; pelo contrário, deve ser uma ferramenta que promova a liberdade e a equidade.
Enquanto a Europa avança com sistemas que garantem a verificação de idade de forma ética, o Brasil parece patinar em um labirinto de ineficiências. A LGPD, que deveria ser um escudo para os cidadãos, muitas vezes se transforma em um fardo, dificultando o acesso à justiça e à reparação. A pergunta que fica é: onde está a LGPD quando se trata de proteger os mais vulneráveis? O constrangimento e o desamparo de quem sofre abusos devem ser inaceitáveis em um mundo onde a privacidade é um direito fundamental.
Portanto, a LGPD deve ser mais do que uma letra fria na legislação; precisa ser uma realidade vivida, com responsabilidades claras para as empresas e consequências reais para aqueles que a desrespeitam. A privacidade é um direito que todos merecem, mas para isso, precisamos garantir que a proteção de dados não seja apenas uma ideia, mas sim uma prática ativa e efetiva.