LGPD: O Despertar de uma Nova Era ou Apenas um Papel em Branco?

Descubra os desafios e as contradições da Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil.

31/05/2026 07:00
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi promulgada com grandes promessas: a proteção dos dados pessoais dos cidadãos brasileiros e a responsabilização das empresas pelo uso inadequado dessas informações. No entanto, passados alguns anos de sua implementação, muitos questionam se a LGPD realmente pegou ou se é apenas uma formalidade. Em meio a escândalos de venda de dados e denúncias de abusos, como os casos envolvendo plataformas como TotalPass e Wellhub, a sensação é de que ainda estamos longe de um cenário seguro.

Recentemente, um núcleo de especialistas localizou anúncios no Telegram oferecendo cadastros de usuários dessas plataformas, o que representa uma clara violação da LGPD. Esse tipo de prática não apenas expõe a fragilidade da legislação, mas também evidencia uma cultura de impunidade que ainda permeia o mercado. Como é possível que, em um país onde a legislação é tão rigorosa, ainda existam espaços para a comercialização de dados pessoais como se fossem mercadorias?

Ademais, a situação se agrava quando consideramos que muitos dos públicos-alvo dessas empresas são vulneráveis, mesmo que maiores de idade. Propagandas que prometem ganhos financeiros rápidos são particularmente insidiosas, uma vez que vão de encontro aos princípios éticos estabelecidos pelo CONAR e pela própria LGPD. A utilização de argumentos persuasivos para atrair esses indivíduos é não apenas irresponsável, mas também ilegal. A pergunta que fica é: onde estão as autoridades e como podemos garantir que a LGPD não se torne apenas mais uma letra morta na legislação brasileira?

A realidade é que muitas empresas ainda enxergam o Exchange Online e outras soluções de tecnologia como meros serviços de e-mail, ignorando o potencial de uma plataforma integrada de comunicação e segurança. Essa visão limitada não só compromete a segurança da informação, mas também abre brechas para que dados pessoais sejam coletados e tratados de maneira inadequada. É preciso um esforço coletivo para que a LGPD deixe de ser um conceito abstrato e se transforme em uma prática diária nas empresas.

Infelizmente, existem casos alarmantes, como o da prefeitura do Rio de Janeiro, que contratou uma empresa para coletar dados biométricos dos usuários do sistema de bilhetagem sem o devido consentimento. Isso levanta uma reflexão sobre os limites da legislação: a LGPD realmente protege o cidadão ou permite que interesses corporativos prevaleçam? Um fluxo de informação que não requer dados pessoais diretos, mas sim confirmações através de sistemas governamentais, poderia ser uma solução viável para garantir a privacidade e a segurança das informações. É hora de defender a LGPD não apenas com palavras, mas com ações concretas que coloquem o cidadão em primeiro lugar.