LGPD: Entre a Teoria e a Prática ? Um Olhar Crítico sobre a Proteção de Dados no Brasil

Entenda por que a LGPD ainda é vista como uma sugestão e os desafios que enfrentamos na proteção de dados.

19/04/2026 07:02
Em um mundo cada vez mais digital, onde a coleta de dados se tornou uma prática comum e, muitas vezes, desmedida, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) surgiu como um farol de esperança para a proteção da privacidade dos cidadãos brasileiros. Entretanto, a realidade é que, em muitos casos, essa esperança se transforma em frustração. Um exemplo claro são os corretores de imóveis que, em busca de novos clientes, recorrem a bancos de dados clandestinos, violando flagrantemente a legislação. A pergunta que fica é: cadê a LGPD nessas horas?

As pessoas frequentemente se deparam com a pergunta: a LGPD é realmente eficaz? Em um momento em que a educação sobre direitos de privacidade e proteção de dados é cada vez mais necessária, muitos ainda veem a LGPD como uma sugestão, e não como uma regra a ser seguida. Essa percepção é alimentada por multas que, apesar de existirem, ainda são consideradas baixas e muitas vezes não impactam efetivamente as empresas infratoras. A sensação de impunidade se espalha, e a proteção dos dados pessoais parece estar em segundo plano.

Recentemente, um episódio envolvendo um influenciador digital levantou polêmicas sobre a responsabilidade de quem coleta e manipula dados. O constrangimento público da vítima e a falta de repercussão efetiva para o infrator reforçam a ideia de que a LGPD, em sua essência, precisa de mais rigor. A proposta de um sistema de verificação de idade na Europa é um exemplo do que poderia ser feito: uma abordagem proativa e responsável que não apenas protege, mas educa.

Entretanto, a LGPD e seu uso muitas vezes são distorcidos, servindo como pretexto para tabus e discriminações, especialmente em questões como educação sexual. A ameaça de multas não deve ser a única motivação para a conformidade; é necessário um compromisso genuíno com a cultura da privacidade. A desconfiança em relação às plataformas digitais, como o Google, que muitas vezes falham em oferecer suporte adequado, apenas agrava a situação. O que precisamos é de uma verdadeira transformação na maneira como encaramos a proteção de dados.

Por fim, a LGPD representa um passo importante em direção à modernização das leis de proteção de dados no Brasil, mas a distância entre a teoria e a prática ainda é grande. É hora de exigir que as promessas de proteção se tornem realidade, e que cada cidadão possa sentir que sua privacidade está, de fato, sendo respeitada. A luta pela proteção de dados é, na verdade, uma luta pela dignidade humana e pelo respeito que todos merecemos na era digital.