Certa vez, durante uma conversa em um evento de tecnologia, uma dona de restaurante desabafou sobre a frustração de lidar com entregas de presentes sem saber o endereço dos clientes. "Cadê a LGPD?", ela perguntou, exasperada. Sua indignação ecoa a de muitos que se sentem perdidos em um mar de promessas vazias. A lei existe, mas será que as empresas a estão levando a sério? Ou apenas utilizam seus conceitos como um enfeite, enquanto continuam a operar como se nada tivesse mudado?
Além disso, o fenômeno das redes sociais adiciona uma camada de complexidade à questão. A popularidade de tendências que incentivam o compartilhamento de dados pessoais, como o uso de IA para criar caricaturas baseadas em informações disponíveis, evidencia a falta de consciência sobre a importância de proteger a privacidade. Muitos não percebem que estão, na verdade, quebrando a LGPD ao expor suas informações sem qualquer tipo de autorização ou cuidado.
A integração da LGPD com o cotidiano corporativo é um desafio contínuo. No meu trabalho em um instituto de pesquisa, lidávamos com dados confidenciais que poderiam definir o futuro de empresas. Contudo, a tentação de simplificar processos, utilizando IA para gerar relatórios, muitas vezes se sobrepunha às diretrizes de proteção de dados. É um dilema que reflete a luta entre inovação e responsabilidade: até onde podemos ir sem cruzar a linha da ética?
Por fim, o acordo entre Brasil e União Europeia sobre a proteção de dados representa um passo importante, mas a verdadeira mudança depende do compromisso de todos em respeitar e aplicar a LGPD de forma efetiva. Não podemos tratar a lei como um mero detalhe burocrático. A proteção de dados deve ser um valor intrínseco à cultura das empresas, um compromisso que vai além do cumprimento de regulamentos. A privacidade é um direito, e a luta pela sua preservação deve ser constante.