LGPD: Entre a Teoria e a Prática na Era Digital

Entenda como a LGPD é desafiada na prática e as implicações dessa realidade.

15/02/2026 07:01
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi promulgada com a promessa de transformar a forma como lidamos com informações pessoais no Brasil. No entanto, na prática, muitos ainda se perguntam: será que a LGPD é apenas um enfeite? Em um mundo cada vez mais digital, onde dados são coletados e compartilhados em um piscar de olhos, a sensação é de que as regras que deveriam proteger o cidadão acabam sendo ignoradas em nome da conveniência e da inovação.

Imagine uma dona de restaurante que, após anos de experiência em logística e atendimento ao cliente, se vê diante de um dilema. Ela deseja oferecer um serviço de entrega eficiente, mas se preocupa com a segurança dos dados de seus clientes. A LGPD exige que ela obtenha a autorização explícita antes de coletar qualquer informação pessoal. No entanto, ela observa que muitos concorrentes simplesmente ignoram essa exigência, colocando-a em desvantagem. A dúvida que paira é: até que ponto a legislação realmente protege o consumidor e até que ponto é apenas um obstáculo para o empreendedor?

A realidade é que muitos usuários nas redes sociais, ao participar de tendências como a de gerar caricaturas por meio de inteligência artificial, não se dão conta das implicações legais de expor seus dados pessoais. A LGPD foi criada para garantir que cada indivíduo tenha controle sobre suas informações, incluindo o direito de pedir a exclusão de dados e saber como eles são utilizados. Contudo, é alarmante ver que muitos ainda compartilham informações sensíveis sem pensar nas consequências.

Além disso, a questão do anonimato é complexa. A LGPD visa proteger a identidade dos usuários, mas a necessidade de maior transparência quanto ao uso de dados é inegável. Profissionais que trabalham com dados confidenciais, como os de um instituto de pesquisa, podem se sentir pressionados a utilizar ferramentas de IA para otimização de relatórios, mas como garantir que essas práticas estejam em conformidade com a lei? A falta de clareza sobre o que é permitido e o que não é gera um terreno fértil para abusos.

Por fim, a recente parceria entre o Brasil e a União Europeia em relação à proteção de dados pessoais pode ser um passo positivo, mas a implementação de práticas efetivas e o respeito à LGPD ainda são fundamentais para que a lei não se torne apenas uma formalidade. Em um cenário onde a privacidade é constantemente ameaçada, é imperativo que tanto as empresas quanto os indivíduos compreendam e respeitem as normas que visam proteger a informação pessoal. A LGPD não deve ser vista como um mero obstáculo, mas como uma oportunidade de construir um ambiente digital mais seguro e ético.