LGPD: Entre a Promessa e a Realidade na Proteção de Dados

A Lei Geral de Proteção de Dados está mudando o cenário digital, mas será que estamos prontos para suas exigências?

13/01/2026 07:01
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) surgiu como um farol de esperança em um mar de incertezas digitais, prometendo resguardar a privacidade dos cidadãos brasileiros em um mundo cada vez mais conectado. No entanto, à medida que a implementação avança, somos confrontados com a dura realidade: a legislação, muitas vezes, é utilizada como desculpa para a inércia. Pequenas empresas e startups, temerosas das sanções, acabam por frear inovações que poderiam beneficiar a sociedade. A pergunta que se impõe é: será que a LGPD, ao invés de proteger, está se tornando um entrave ao progresso?

Recentemente, uma conversa informal entre profissionais da área de tecnologia revelou a frustração com o uso excessivo da LGPD como justificativa para a falta de ação. O que deveria ser um guia ético e legal para a coleta de dados, acaba sendo interpretado como um impeditivo. Documentos centenários, que poderiam ser digitalizados e acessados, permanecem nas prateleiras empoeiradas, enquanto as promessas de inovação na saúde e em outros setores se esvaem. O investimento em novas tecnologias é uma realidade, mas sem a regulamentação adequada, o medo do desconhecido continua a dominar o cenário.

Além disso, a situação se complica com casos de uso indevido de dados, como o que ocorreu com a organização ACNUR, que emitiu boletos de doação para pessoas que nunca tiveram contato com a instituição. Juristas alertam que essa prática fere os princípios da LGPD, evidenciando a urgência de uma regulamentação clara e eficaz. O que deveria ser uma proteção ao cidadão torna-se, em alguns casos, uma arma de dois gumes, onde a falta de consentimento é ignorada em nome de práticas questionáveis.

Olhando para o panorama atual, é evidente que a melhor maneira de cumprir a LGPD é não coletar dados pessoais sem necessidade. A cultura da coleta excessiva deve ser reavaliada, e as empresas precisam entender que a proteção ao dado não deve ser uma mera formalidade, mas sim uma prioridade. É preciso mudar a mentalidade de que atender à legislação é simplesmente evitar punições. É hora de transformar a LGPD em uma ferramenta de transparência e confiança, e não em um obstáculo ao desenvolvimento.

Assim, a LGPD deve ser vista como uma oportunidade de evolução, onde a ética e a tecnologia caminham lado a lado. A sociedade precisa se mobilizar para que essa lei cumpra seu papel e não se torne apenas mais um regulamento burocrático. Somente assim, poderemos garantir que a privacidade e a proteção de dados sejam realmente respeitadas e que a inovação no Brasil não fique presa em um labirinto de normas mal interpretadas.