Certa vez, ao visitar uma lotérica, fui surpreendido pela atendente que, com um sorriso, me lembrou da data do meu aniversário. Fiquei perplexo. Como ela sabia disso? A resposta estava na coleta de dados que, mesmo sendo legal, muitas vezes escapa ao nosso controle. A LGPD deveria garantir que tivéssemos consciência do uso que fazem das nossas informações, mas o que vemos é uma banalização do acesso a dados que deveriam ser tratados com respeito e cautela.
Em conversas com colegas jornalistas, uma mudança se tornou evidente: a preocupação com a privacidade e os vazamentos de dados agora dominam as pautas. Já não se trata apenas de utilizar Inteligências Artificiais como ferramentas, mas de entender quais os limites impostos pela LGPD ao se trabalhar com essas tecnologias. A água bateu na bunda e a urgência em se adequar à legislação é palpável, mas será que estamos prontos para essa mudança?
A realidade de quem lida com dados é alarmante. Muitos profissionais, como corretores de imóveis, ainda se valem de práticas ilegais ao utilizar bancos de dados massivos para prospectar clientes. Essas ações não apenas ferem a LGPD, mas expõem a fragilidade da nossa privacidade em um mercado que parece estar mais preocupado em lucrar do que em proteger os indivíduos. Para muitos, a LGPD é um mero detalhe, um obstáculo a ser contornado em nome do sucesso comercial.
É preciso que a sociedade se mobilize e entenda que a luta pela proteção de dados não é apenas uma questão de legislação, mas um direito fundamental. Enquanto a LGPD nos oferece uma estrutura, cabe a nós, cidadãos, exigir que as empresas e instituições a respeitem. A privacidade não é uma mercadoria que pode ser trocada, mas um valor que deve ser preservado. Somente assim, poderemos navegar por esse mar de dados com a segurança e a confiança que merecemos.